O tempo, o espaço e o vácuo

vácuo

De todas as atitudes que podemos tomar, a mais cruel é o vácuo. Nele não existe tempo ou tamanho, ele é o próprio espaço. Ele é infinito e não há uma dimensão onde ele se adeque. E mesmo assim ele continua lá, recolhendo todas as coisas inúteis e esperando apenas o momento em que mais alguma coisa será descartada para dentro dele.

E sinto que foi isso que você fez com o meu amor. Cada átomo que compunha esse sentimento que eu sentia, você pegou e deixou no vácuo do espaço, do tempo. Presta atenção na colocação do verbo: sentia. Eu não vou dizer que deixei de te amar, apenas não gosto mais de você.

Confesso que eu não estou mais para muitos amores, mas é que eu realmente estou cansada, se não esgotada, desse amor que só maltrata. Que em um minuto está a planejar e no instante seguinte, está a ignorar. O amor deveria descomplicar, mas a gente insiste em complicar a coisa mais simples que a vida oferece. Esse pouco caso, aliás, descaso com os sentimentos dos outros é uma falta de respeito enorme.

Parece que hoje em dia, demonstrar o que se sente virou sinal de fraqueza. Acontece que mesmo diante de tudo, meu coração ainda está cheio de amor para dar e eu sei que por aí existe um coração que deseja tudo o que eu tenho a oferecer, mesmo que não hoje, não agora. Sei que em algum momento dentro do tempo e do espaço, alguém vai me oferecer esse amor de volta, e aceitar de bom grado o que tenho de melhor para dar. Cansei desses amores vazios. Eu gosto é de gente cheia, que transborda.

Quando um amor que te deixou ainda não cicatrizou, começa a latejar a saudade e não tem por onde fugir. Eu ainda sinto os cheiros, o toque, o gosto; sinto a presença dele em todo lugar e, a cada hora, confiro o celular. Eu sei que isso, uma hora, vai deixar de ter esse efeito. Vai ser como uma elipse no vácuo do universo. Mas, até lá, eu só consigo amar. Amar o nada, o inevitável.

Restou a saudade e  maldade desse amor não vivido. E, no fim, restou esse silêncio, que se espalha por aí com o som da saudade. Meu coração ainda está se recuperando, mas está firme, então não reparem a bagunça. O tempo, eu sei, apaga de forma sutil aquilo que em nada acrescenta.

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